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#69 - Sharp Objects

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Gone Girl é, possivelmente, um dos livros mais mind fuck que já tive o prazer de ler. É incrível a maneira como Gillian Flynn constrói a história sem nunca nos revelar os verdadeiros intentos de cada personagem até ao último minuto. Mesmo os momentos que se tornam algo previsíveis nos enchem de estupefação, e nos fazem virar a página mais depressa do que a anterior.

Por isso, foi com a certeza de que também ia adorar Sharp Objects que me dediquei à sua leitura. Infelizmente, saí um bocadinho defraudada nas minhas expectativas. Embora no mesmo estilo que o livro irmão, e com uma história, a meu ver, muito mais dark, não conseguiu chegar ao nível de Gone Girl em termos de qualidade. Sim, eu sei que fazer estas comparações não é justo, mas não deixa de ser inevitável, principalmente quando o primeiro é um livro tão poderoso.

Sharp Objects ganha em realismo: neste, acreditei mais de que seria algo que pudesse realmente acontecer numa qualquer cidade do sul dos Estados Unidos, onde as comunidades ficaram presas numa época em que era tudo vestidos rodados, meninas bonitas e homens do campo. A história de vida de Camille é triste e difícil, mas não deixou de a tornar uma mulher forte e independente - e, por isso, imediatamente nos conseguimos ligar a ela.

Em parte, acho que este livro é uma ode à resiliência feminina, às mulheres que aguentam passar por verdadeiros infernos e ainda reservam em si o poder de perdoar (a elas mesmas e ao mundo), e de seguir em frente com as suas vidas, seja de que forma for. Alguém que tenha passado por algo que o/a marcou vai sentir-se compreendido por Camille, que embora tenha uma história mais fucked up que a maior parte das pessoas, compreende que ser ou estar broken num momento, não é a mesma coisa que o ser ou estar para sempre; e que, por vezes, as coisas tornam-se demasiado, e que vamos ter de cair para nos podermos levantar.

Nesse sentido, é impossível que este livro não nos toque. Sentimos pena de Camille, mas também nos orgulhamos ela, e da sua determinação em existir, em ser, apesar de tudo aquilo que a ameaça levar (de novo) para o fundo do poço. A relação mãe-filha em que este livro se foca também me fez pensar na pressão que por vezes sentimos em corresponder a expectativas (muitas das vezes impossíveis) que os nossos entes queridos colocam sobre os nossos ombros - e o quão, por vezes isso se torna overwhelming ao ponto de poder vir a causar destruição nas nossas vidas. Ou, simplesmente, nos fazer sentir sozinhos e isolados.

Quanto ao final, não deixa de ser interessante que, no que à história geral, à big picture, diz respeito, o rumo é o esperado, e a meio já se sabe como vai acabar. Não é uma coisa que costume gostar muito: prefiro não saber as revelações mesmo até aos momentos finais. Neste livro não me incomodou tanto, provavelmente por estar impecavelmente escrito, e por ser uma história curta, que precisava de closure e um final sem pontas soltas.

No entanto, no que toca a Camille, ficamos na dúvida em relação ao seu destino. Não li mais livros da autora e não sei se estar personagem torna a aparecer, mas Sharp Objects termina numa indefinição, numa crossroads. Nunca saberemos que caminho Camille escolheu tomar.

Se é de suspense, mistério e aquele lado humano que não nos gostamos de lembrar que existe que procuram, então não há que enganar com Gillian Flynn.

“I ached once, hard, like a period typed at the end of a sentence.”

#68 - Caraval

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Sou fã assumida de histórias sobre, que se passam ou que têm como plano de fundo o circo. Não sei se terá sido por, em pequena, ir ao circo todos os anos pela altura do Natal - até porque, se me perguntarem do que me lembro, garanto que não é grande coisa. Agora, mais velha, e depois de até ter visto um espétaculo do Cirque du Soleil, não posso dizer que aprecie lá muito a arte circense.

Mas no que toca a livros, é diferente. Desde The Night Circus, que inspirou o nome e a criação deste blog, que comecei a adorar aquele mundo mágico, as tendas coloridas, os artistas talentosos, o mistério e aquela otherworldly quality que me faz sonhar.

Foi com todas essas coisas boas em mente que me atirei de cabeça a Caraval. Só ouvia opiniões positivas, e isso ajudou a manter as expetativas em cima.

Scarlett e Donatella são irmãs, e sonham em ver e fazer parte de Caraval, uma performance imersiva onde o público também participa, e se perde num jogo durante 5 noites, numa localização revelada apenas aos convidados. Quando a oportunidade surge de fugirem à vida que levam e fazerem parte desta magia, as irmãs tomam uma decisão que vai mudar as suas vidas.

É pelas suas aventuras que somos guiados, e é também nelas que nos perdemos. Mistério e sedução são as palavras de ordem, e não há como não nos sentirmos atraídos por cada palavra que Stephanie Garber escreve. É como uma força invisível que nos puxa e, quando damos por nós, estamos lá com Scarlett: sentimos a sua frustração, a sua força e o seu desespero. Damos por nós a amá-la tanto quanto a odiamos, e o mesmo se passa em relação a quase todos os personagens.

É essa duplicidade, esses paradoxos que, para mim, tornam este livro um must read. A minha crítica iria para o final, apressado mas sem realmente atar as pontas soltas. Porém, quando acabei de ler, não fazia ideia de que iria ter continuação. E, sendo assim, tenho de admitir que, no que toca a cliff hangers, esta senhora fá-los, e fá-los bem

Quero muito saber o destino de Scarlett, e mal posso esperar pelo próximo volume: Legendary sai cá para fora a 29 de Maio. E se me pedissem para resumir Caraval num parágrafo? Não é preciso: a autora fá-lo infinitamente melhor que eu:“Whatever you’ve heard about Caraval, it doesn’t compare to the reality. It’s more than just a game or performance. It’s the closest you’ll ever find yourself magic in this world.” 

#67 - Mil Vezes Adeus

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O novo romance de John Green chegou às prateleiras portuguesas no dia 10 de novembro, mas tive direito a tê-lo nas mãos primeiro que os comuns mortais por razões de trabalho. A capa horrorosa e o título abismal (já lá vamos) deixam-nos logo de pé atrás e, francamente, a sinopse fazia a história soar a sob story.

Quanto a isso, I stand corrected: no final de contas, achei a história de Aza super pertinente, um abre-olhos em relação à temática da doença mental e uma pequena janela para a mente de pessoas com esse tipo de problemas. Senti que, apesar de, infelizmente, estas situações serem cada vez mais comuns e, por essa razão, eu me achar bastante familiarizada com elas, a verdade é que ler sobre como Aza navega pela sua vida, o que sente, o que pensa e, acima de tudo, como pensa, fez-me compreender melhor o impacto das doenças mentais na vida de alguém - especialmente alguém tão jovem.

Nesse sentido, acho que Mil Vezes Adeus (urghh!!!!) vai acabar por se tornar um clássico moderno, e espero que venha a ajudar muita gente a sentir-se menos sozinha e desamparada. Afinal, há sempre alguém por aí com o mesmo problema que nós, e acho que, em parte, este livro passa-nos esse conforto.

Quanto ao resto: o título foi uma escolha horrorosa por parte da editora, e a justificação para o mesmo é metafórica e rebuscada, e não agrada. Enquanto, em inglês, Turtles All The Way Down explica muita coisa e fica no ouvido, Mil Vezes Adeus não só faz lembrar um daqueles romances de cordel, como a única referência (kind of…) que temos a ele é nas últimas palavras do livro.

Like I said, a sinopse não me agradou particularmente mas, lidas as coisas, surpreendeu-me. Contudo, ficamos com a ideia de que esta é uma história de adolescentes detetives, e isso não pode estar mais longe da verdade. O arco “Aza vai em busca de um milionário desaparecido” não é bem assim, e fez-me sentir que, se John Green  não o tivesse incluído na história, esta passar-se-ia da mesma maneira e acabaria da mesma forma. Todo o arco se desenrola de forma meio infantil, meio fantasiosa, e a conclusão é aleatória. Torna-se beside the point, e acaba por servir apenas para tapar os buracos que a história principal vai deixando.

Por outro lado, John Green é um escritor muito consistente no seu estilo, e aqui vemos mais daquilo a que nos habituou e adoramos. Infelizmente, li este livro em português, o que me estragou bastante a experiência, já que as más traduções (e, muitas vezes, as traduções no geral) não permitem que tiremos do texto a sua verdadeira essência. Muitas vezes, dei por mim a recitar linhas e linhas para mim mesma em inglês, a traduzi-las automaticamente, para me conseguir relacionar e para que o texto me dissesse alguma coisa, o que é bastante triste.

Em relação ao final, não foi o que esperava. Um pouco confuso, um pouco mau, mas de alguma forma real, de alguma forma exatamente aquilo que devia ser. Tal como as “espirais de pensamento” de Aza, podemos sempre vê-lo de duas formas: olhando bem fundo ou para o topo.

A escolha é nossa.

“Spirals grow infinitely small the farther you follow them inward, but they also grow infinitely large the farther you follow them out.”

#60 - Sense and Sensibility

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Já não lia Jane Austen há muitos anos. Não há nenhuma razão especial para um hiatus tão extenso, e só o posso justificar com outras prioridades literárias. Orgulho e Preconceito foi o meu primeiro mergulho no mundo de Austen, e nele me mantive focada todo este tempo, por medo que nenhum outro o pudesse igualar. É um dos meus livros favoritos, e sobre ele já vi todos os filmes e séries que existem (incluindo aqueles filmes que passaram diretamente para DVD sem ver uma sala de cinema).

Por isso, foi de coração leve e expetativas altas que comecei a ler Sensibilidade e Bom Senso, e retomei as minhas viagens pela época da corte, das vénias e da eterna politeness britânica, que sempre admirei. O filme de Ang Lee já era meu conhecido de outros tempos, e tenho-o também no Top 10 - ou seja, a história não me era de modo algum desconhecida. Foi bom, no entanto, confirmar que aquilo que separa um livro de um filme são os detalhes que não cabem em duas horas de película. São esses detalhes, que tão facilmente reconhecemos na escrita de Austen, que nos transportam para Devonshire, e para cada quarto de Barton Cottage; que nos descrevem o Coronel Brandon e a energética Mrs. Jennings; e que nos contam ao pormenor a infâmia de Willoughby - de tal modo que, à semelhança de Elinor, até sentimos um pouco de pena do rapaz.

Cada palavra de Austen é um passo em frente nos campos verdes de Barton Park, ou na Bond Street londrina. Este poder, que nem todos os escritores possuem, de nos levar para qualquer lado - independentemente de já lá termos estado ou não -, é algo sem o qual, na minha opinião, nenhum livro pode ser considerado bom. Se a temática dos triângulos amorosos, do apelo à decência e bom comportamento e de heroínas que tendem a desafiar o status quo é hábito nos livros da autora? É, não o nego. Até agora, e tendo em conta que ainda só li duas das suas histórias, não posso dizer que aborrece. Embora com temas semelhantes, assentes na importância de casamentos de bem, com homens ricos e influentes, que garantam segurança e estabilidade (e que revelam, contas feitas, a precariedade da vida de uma mulher naquela época, que não conseguia ser independente), as histórias acabam por seguir rumos distintos - e, assim, acaba por não aborrecer.

Ler Jane Austen é querer ir a correr à loja de vestidos de época mais próxima e arranjar um bonnet. É querer dar passeios a cavalo pelo countryside inglês ou visitar uma Londres que já não existe. É ir a um baile e dançar com os solteiros elegíveis a bons maridos. É voltar para trás no tempo e desejar ter lá estado… nem que fosse só para uma cortesia.

“I wish, as well as everybody else, to be perfectly happy; but, like everybody else, it must be in my own way.” 

#59 - Stardust

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Não acho que alguma vez venha a ler um livro de Neil Gaiman de que não goste. Uns têm mais qualidade que outros, não o nego (e já lá vamos!), mas a verdade é que este maravilhoso escritor tem o condão de nos levar consigo para estes mundos de fantasia; de nos fazer sentir como se também fizéssemos parte deles; de nos fazer chegar à última página de sorriso no rosto e coração cheio.

Posto isto, Stardust não é o meu favorito do amigo Neil. É bonito, é mágico, tem a escrita fluida, dinâmica e divertida a que estamos habituados, e não há ponta que fique por atar. Tem uma leveza etérea, tal como o título indica, e não há como não nos sentirmos bem ao ler estas 200 e poucas páginas. Por outro lado, tem um certo toque de conto de fadas, no sentido em que é um pouco mais infantil que outros livros do autor, e que nos deixa a desejar podermos espremer mais sumo à história.

Por mim, Stardust teria acabado com aquela épica nota de Tristan à mãe (chill, não é um spoiler!), e uma frase final daquelas a que Neil Gaiman tem por hábito cunhar, e das quais nos lembramos sempre. Daí que tenha achado o epílogo ligeiramente escusado, embora tenha trazido - kind of… - a história a full circle.

Repito: não há nada deste senhor que eu não tenha gostado, mas Stardust podia usar uns pózinhos de pirlimpimpim para brilhar um pouco mais.

#58 - The Miniaturist

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No Goodreads, 3 estrelas significam “i liked it”, e 2 correspondem a “it was ok”. Mas o que eu preciso é de um meio termo, porque em tudo este The Miniaturist me deixou na corda bamba entre o bom e o perfeitamente horrível, o razoável e o fora de série.

Tinha-o na lista to read desde 2014, altura em que saiu, rodeado de muito falatório - que só tinha coisas boas para dizer. A premissa também me fascinava: a ideia de que uma casa de bonecas pudesse encerrar os segredos, aventuras e desventuras de uma família, influenciando e interligando os seus destinos.

Se calhar foi por isso, por ter, à partida, levado o título muito à letra, que acabei por me desiludir com o rumo da história. Tal como Johannes diz a Nella quando lhe oferece a casa de bonecas, o presente é apenas uma distração, acabando por nos desviar o olhar de uma história principal com potencial, mas confusa - não pelos rumos intrincados que leva, nem pela complexidade dos plot twists (bons, por sinal! Já lá vamos…), mas pela escrita que não tem qualidade para a elevar a outro nível.

Esta foi a estreia de Jessie Burton, e nota-se. Apesar de, em termos de ambiente, a autora nos dar um retrato fiel da cultura e sociedade holandesa do século XVII, a escrita em si mesma é fraca, cheia de eloquências que não precisa, e de complicações onde deveria ser simples. É uma maneira de escrever que funciona como um pau de dois bicos: não nos entusiasma, por vezes aborrece mas, por outro lado, impede-nos de parar, e faz-nos tornar a virar a página só para tentar perceber um pouco mais da história.

Foi preciso chegar a ¾ do livro para as coisas ficarem mais interessantes. Os plot twists foram certeiros e imprevisíveis, tal como devem ser, mas não conseguia afastar a sensação de que ficavam sempre aquém daquilo que eu esperava que a história se tornasse. Por um lado, sentir isso é bom: it keeps us on our toes, sempre atentos, mais imersos na história; por outro, o livro acaba por se tornar apenas num encolher de ombros.

Muitas coisas ficaram por explicar, enquanto outras foram inseridas sem um propósito real. Não me parece que este livro tenha sido escrito a pensar numa sequela, e por isso não vejo razão para deixar tanto em aberto. Tal como a escrita, a autora também manteve a dualidade nos temas que abordou: amor e obsessão, verdade e aparência, decência e pecado. É nessas dualidades que a personagem principal constrói o seu destino, sempre fazendo ligação ao The Miniaturist , essa criatura quase etérea que funciona como um puppet master, usando as suas criações como os fios que guiam as vidas de todos os personagens.

Foi por isto que saí desiludida. O potencial é imenso, apenas mal empregue. E o final, que podia ser a saving grace de tudo isto, só confirma o que já sabíamos há 100 páginas atrás: que nunca vai ser o suficiente para nos deixar satisfeitos. E é pena, porque acredito que, bem escrito, com um rumo ligeiramente diferente, esta história tinha tudo para se tornar numa daquelas que, embora nunca seja a nossa favorita, temos de ter na prateleira, e para a qual vamos olhar sempre com carinho.

#57 - A Metamorfose

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Aparentemente, sou a única pessoa no planeta Terra que odiou este livro. Assumo totalmente que me passou milhas e milhas ao lado a grandeza deste pedaço de literatura. Não é que, enquanto o lia, não tivesse reparado nos temas principais: Gregor, que dedicou a vida à família, vê-se subitamente diferente, sozinho e sem poder comunicar, acabando por se ver completamente abandonado.

Daí a dizerem-me que estas cento e tal páginas fazem muito sentido e são do melhor da literatura of all time, perdoem-me, mas não. É certo e sabido, para quem leu as minhas reviews, que não me dou bem com clássicos e (alegadas) masterpieces. Mais uma vez, assumo que não tenho capacidade para gostar de livros que se escrevem entre as linhas, e não nelas; para obras que não me tocam, que fingem ter algo de muito profundo nelas escondido, mas que acabam por ser ocas.

Falha minha, talvez. Mas ninguém me tira da cabeça que este A Metamorfose está no top 5 dos piores livros que li na vida.

#56 - The Butterfly Tattoo

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Precisava de um livro pequeno e leve que pudesse ser lido em 2 ou 3 dias, e The Butterfly Tattoo, fazendo jus ao nome, voou da minha estante e pediu para ser folheado. Não recusei, principalmente porque já tinha lido outro livro desta mesma coleção, pelo mesmo autor, e tinha gostado bastante.

Com The Broken Bridge, essa primeira leitura, tinha sentido que Phillip Pullman tem uma magia muito própria, que nos faz querer chegar ao fim das suas histórias no matter what. Tanto esse livro como este The Butterfly Tattoo não primam por uma escrita grandiosa, que nos faz dizer “daaaamn!” a cada par de páginas. Mas a verdade é que nos prendem do primeiro ao último minuto, independentemente da qualidade da história.

Digo isto porque, enquanto The Broken Bridge foi uma agradável surpresa, The Butterfly Tattoo foi trágico - e não me refiro ao destino dos personagens. Os temas da adolescência, abuso sexual, morte, verdade e justiça são muito semelhantes nos dois títulos. Contudo, aqui a trama é forçada, e dá voltas e voltas para um final que já conhecemos há muito, mas que sabe a pouco.

Não tinha as expetativas altas, mas não pude deixar de ficar desiludida.

#54 - O Príncipe da Neblina

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Sabem aqueles livros em que, assim que acabamos de ler, já não nos lembramos de nada? O nome da personagem principal parece uma memória distante e… qual era mesmo o título, afinal? Para um leitor, é este o pior sentimento do mundo: sentir o vazio, não por não querermos que o livro tenha acabado, mas por termos chegado ao final sem que nos tocasse verdadeiramente. Fechamos a contracapa e não nos ocorre nada para dizer.

Ler, para mim, é uma conversa que eu tenho com o autor. Ele conta-me a sua história e eu ouço em silêncio, fazendo apenas o ocasional comentário quando a situação o exige. Mas o tête-a-tête que tive com Carlos Ruiz Zafón sobre O Príncipe da Neblina não foi como os anteriores.

Já aqui falei da trilogia d’O Cemitério dos Livros Esquecidos, e de como o espanhol tem o dom de nos levar com ele para todos os lugares que os seus personagens percorrem com a sua escrita bonita e fluida. Por os ter como exemplo, esperava isso e muito mais deste O Príncipe da Neblina - mesmo tendo em conta que, supostamente, é para um público mais jovem.

As minhas expetativas saíram defraudadas. A história não faz grande sentido e a escrita trouxe-me não aquela magia a que estou habituada, mas sim um toque infantil e ingénuo - mais a apontar para história de crianças do que para literatura juvenil. O real mistura-se com a fantasia - tal como nos outros livros do autor -, mas não de maneira a conseguirmos senti-la palpável. A ação desenrola-se devagar e é frustrante a quantidade de plot holes que se vão formando, sem qualquer explicação para eles no final.

O Príncipe da Neblina deixou-me praticamente sem nada onde me agarrar. Ficaram algumas ilustrações mentais de passagens que li, de momentos que fixei melhor por uma razão ou outra. Adoro finais, mas não sei dizer se este foi bom ou mau: acabou por se tornar indiferente.

Apesar de já termos tido conversas em que nos desentendemos, eu e Carlos Ruiz Zafón acabámos sempre por encontrar pontos em comum. Fiquei desiludida por, desta vez, ele ter decidido falar-me de coisas sem substância e em tom condescendente, como se eu tivesse cinco anos e não conseguisse compreender as histórias dos adultos.

Foi uma conversa em que fiquei até ao final por respeito, não por vontade.

#53 - A Chave de Salomão

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Dan Brown foi o meu primeiro amor nestas lides de romances históricos. O icónico Código DaVinci ou Anjos e Demónios deram à minha imaginação mais espaço de manobra, apresentando-me teorias da conspiração, críticas ao clero, e aventuras de personagens principais que, à partida, são como qualquer outra pessoa. Digam o que disserem, os livros do americano definiram um género e, claro está, muitos se lhe seguiram.

Um dos primeiros escritores portugueses que li dentro dessa linha foi o falecido Luís Miguel Rocha e o aclamado jornalista José Rodrigues dos Santos. Quanto a este último, embora não o aprecie enquanto pessoa ou profissional, sempre gostei de ler as suas histórias que levavam o criptoanalista e historiador Tomás Noronha em aventuras fantásticas por todo o mundo.

Meia dúzia de livros depois, e a qualidade das aventuras e da escrita começou a decrescer. Para mim, esse facto tornou-se óbvio com A Mão do Diabo, um livro-crítica sobre a crise económica mundial, com foco na realidade portuguesa (uma review que fica para depois, que também tem pano para mangas…). Mas foi neste A Chave de Salomão que realmente tive a certeza de que já não há forma de José Rodrigues dos Santos voltar a escrever sobre a saga de Tomás Noronha com jeito e maneira.

Neste volume, seguimos o português na sua vida normal de consultor da Fundação Calouste Gulbenkian, até que recebe uma encomenda estranha no correio. Uma chamada acerca da saúde frágil da mãe fá-lo esquecer a encomenda por um momento, mas não tarda a descobrir as implicações que o pequeno objeto lhe vai trazer. A partir daí, desenrola-se uma corrida de vida ou morte para provar a sua inocência, salvar a sua vida e da amiga (há sempre uma “amiga”…), e de descobrir e resolver, como não podia deixar de ser, um dos mistérios do universo.

O enredo é em tudo parecido com outros romances do autor, e era isso que eu esperava - portanto, não estou surpreendida por não ter mais sumo. Contudo, se nos primeiros livros eu encarava Tomás Noronha como um “guy next door” - que, apesar da sua inteligência superior, era humano, cometia erros e parecia ser alguém de quem poderíamos perfeitamente ser vizinhos ou amigos -, neste A Chave de Salomão, o criptoanalista é irritante, sabichão e repetitivo.

Acho, inclusive, uma enorme incongruência que saiba TANTO de física quântica (o foco deste livro) sendo ele professor de História. A justificação do autor é a de que, como ele é académico, tem uma aptidão nata para saber coisas que o vulgo mortal não tem capacidades de entender. E não estou a brincar: o autor diz isto mesmo, na voz do narrador, num capítulo em que Tomás tem de explicar algo complexo a outro personagem. Este é um daqueles momentos em que a arrogância de José Rodrigues dos Santos como pessoa, passa para a sua voz narrativa com uma clareza que faria inveja a um copo de cristal.

E já que falamos de explicações, são páginas e páginas de descrições científicas, com diálogos longuíssimos, que só aborrecem em vez de educar. Repetições ad infinitum das mesmas teorias a cada dois ou três capítulos - não vá o leitor esquecer-se dos fundamentos da física quântica. Ai de vocês se, ao capítulo XX, ainda não souberem quem é Schrödinger! E a questão da experiência de dupla fenda? Já deve estar marcada a ferro e fogo na vossa mente, por esta altura. E se acham que quando o livro acaba, também se acaba a palestra, enganam-se: depois do epílogo, há ainda uma nota final em que o autor torna, pela milésima vez, a repetir toda a algaraviada científica com que nos entediou ao longo de praticamente 600 páginas!

Por essa razão, acabamos com uma história algo forçada para fazer caber esses fundamentos e ideias, sem nunca verdadeiramente conseguir articular um plot twist ou uma ideia inovadora que não nos soe a falso. Veja-se: como é que Tomás Noronha consegue, sucessivamente, encantar e seduzir os seus captores e perseguidores com o seu paleio de professor e as suas explicações condescendentes? Depois da sétima vez, começa simplesmente a ser irrealista - se já não o era antes.

O final é, como sempre, perfeitamente feliz. Sim, morrem umas pessoas, mas o nosso protagonista sobrevive com uma “babe” pelo braço, e já está pronto para mais outra aventura (que, entretanto, José Rodrigues dos Santos já escreveu e se chama Vaticanum).

Tenho pena de ver histórias com tanto potencial a perderem-se no meio de um verdadeiro manual científico. Acabamos tão frustrados com a repetição exaustiva de termos sobre uma das questões mais complexas da ciência, que já nem sabemos a que ponto estamos na história.

Este é daqueles que vai ficar na prateleira para completar a coleção, porque fica bonito de se ver, mas que nunca mais vai ser relido. Pelo menos, não por mim.

#52 - Miss Peregrine’s Peculiar Children

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A princípio, a trilogia de Miss Peregine’s Home for Peculiar Children não me chamou à atenção. Li uma sinopse algo confusa e rapidamente a risquei da minha to-read list. Mas, há uns tempos, deparei-me de novo com os livros e dei-lhes uma segunda chance, tentando descobrir o que toda a gente adorava e o que, no final, deu a Hollywood a vontade de fazer um filme sobre eles.

Composta por 3 volumes (Miss Peregrine’s Home for Peculiar Children, Hollow City, Library of Souls), a saga segue a história de Jacob Portman, um adolescente americano completamente banal que vê a sua vida virada do avesso após a morte do avô, que escondia um segredo muito especial: era peculiar.

Jacob tenta seguir os passos do avô e reconstruir a sua vida, e é nessa busca que encontra Miss Peregrine e os seus protegidos. Entre aventuras, a magia do primeiro amor e a ameaça dos Hollows, Jacob vê-se puxado para um mundo fantástico e desconhecido, onde vem a descobrir que tem muito mais em comum com o avô do que imaginava.

Esta é daquelas sagas que não é ótima mas, ao mesmo tempo, também não conseguimos deixar de virar a página e querer saber o que vem a seguir - principalmente porque está muito bem escrita. Nada é deixado ao acaso, as descrições são perfeitas e não há ponta solta que fique por atar. Há plot holes? Minúsculos, do tamanho do buraco de uma agulha, e pouco significativos. Não lhes dedicamos mais do que aquele segundo de hesitação antes de seguirmos em frente.

A história em si também é interessante: a premissa de que dividimos os mundo com outros mundos paralelos - loops que existem bem à frente dos nossos olhos mas que não conseguimos ver -, e que, nesses loops, existem pessoas peculiares, com características que as tornam diferentes, únicas e especiais.

Achei, em certos momentos, que existia uma crítica subtil ao racismo e discriminação de que os peculiares sofriam, e que podemos extrapolar para o mundo real. Mas em nada o autor, Ransom Riggs, se apoiou na crítica política ou social para contar a sua história. Acaba por ser uma leitura super leve, complexamente simples e orgânica.

Apesar de não serem ilustrados, todos os livros da trilogia vêm acompanhados de fotos bizarras que emprestam o elemento visual à narrativa. Segundo o autor, este tipo de fotos surreais sempre o fascinou e, na altura de escrever um livro, sabia que tinha de as incluir. Ransom Riggs  disse ainda que umas vezes criava momentos da história com base nas fotos e, outras, que encontrava a foto perfeita para juntar ao que já tinha escrito.

Acho que a primeira opção acabou por ferir um pouco a saga, no sentido em que, por vezes, percebemos que certos elementos só estão ali porque ele adorou a foto e teve de escrever uma frase sobre ela. Não adiciona nada de relevante à história, é como um aparte.

Mesmo não acontecendo muitas vezes, essa situação acaba por reduzir a velocidade da história, já de si algo lenta. Senti-me frustrada em alguns capítulos, em que só queria ver a situação avançar mas havia sempre mais um entrave, um pequeno parênteses que nos leva a fazer uma pausa antes de seguir em frente.

Talvez por isso tenha notado alguma previsibilidade nos plot twists e revelações, e o final acabou por não me surpreender, apesar de ser precisamente o oposto do feel que perdura durante toda a saga.

Em suma: gostei, mas não adorei. Faz-nos virar a página incessantemente, mas não nos deixa com vontade de reler daqui a uns tempos. Contudo, e mesmo tendo tudo isto em conta, não deixa de ser uma boa história sobre a dualidade que reside em todos nós, sobre como um acontecimento aparentemente banal pode mudar tudo e, acima de tudo, sobre como, cada um à nossa maneira, somos muito mais do que apenas normais.

“Maybe lots of people go through life never knowing they’re peculiar.” 

#51 - Harry Potter and the Cursed Child

lecirquedesreviews:


Já não sentia o entusiasmo de ir a um lançamento de um livro desde 2007, altura em que fui, juntamente com tantos outros esperançosos, buscar o último volume da saga Harry Potter. A vontade de chegar a casa e começar a ler era indomável.

O Harry, a Hermione e o Ron encheram o meu mundo de magia desde tenra idade. Saber que, depois desse dia, depois de terminar o que seria o fim de uma saga - e de uma etapa na minha vida -, já não ia existir mais nenhum livro para me fazer companhia foi, no mínimo, triste.

Mas eis que este ano surge a ideia de “Harry Potter and the Cursed Child”, uma peça que teria o seu argumento transformado em livro, para que os pobretanas como eu, que não podem ir a Londres, desfrutem também desta nova história, os 19 anos depois que tanto ansiámos por explorar.

Talvez tenha sido essa ânsia, a expetativa de saber mais e descobrir algo novo, que tenha deitado tudo a perder. Em boa verdade, comecei a ler este livro assumindo, sem receios, que seria fantástico. Afinal, apesar de não ser escrito pela J.K. Rowling, tinha o seu aval, e também ela tinha contribuído para a ideia que lhe dá origem.

Mas ao folhear as primeiras páginas, capítulo atrás de capítulo, ia-me sentindo cada vez mais defraudada. Sabem aquele momento em que sabemos que fomos traídos por um livro? Em que esperávamos mais, em que sabíamos que podia e devia ser melhor, em que há algo de francamente errado e temos a certeza de que não são os nossos olhos, nem estamos a imaginar coisas. Foi isso que HPCC me fez sentir.

Sim, eu sei que é um argumento de uma peça, que é escrito de maneira muito diferente da prosa, que tenho de imaginar o elemento visual que o acompanha. E sim, eu sei que não foi escrito pela autora da saga original, que cada pessoa tem o seu estilo e dá o seu cunho. Foi, aliás, precisamente por essas razões que continuei a ler.

Só que saber isso não ajudou. Não melhorou a experiência de leitura (e não foi o primeiro argumento que li), não me motivou a dar o desconto pelas falhas gravíssimas na história, não cessou a minha vontade de voltar à FNAC e pedir os meus absurdos 23€ de volta.

A história parte da premissa de que o Harry tem alguma espécie de stress pós-traumático e problemas de culpa por não saber lidar com os próprios filhos. Até aqui, aceito. Compreendo que quem cresceu sem pais, numa família que nunca lhe deu amor e foi, toda a vida, de certa forma, um outcast, tenha alguma dificuldade em educar outro ser humano. Isso, mais a situação de ser “O Escolhido”, mais lutas anuais contra Voldemort, mais ver grande parte dos amigos mortos, confere-lhe o direito de estar um bocado traumatizado.

Contudo, são precisamente estas questões que criam atritos com o filho do meio, Albus Severus. A início, percebemos porquê e damos-lhe razão: lá por ser filho de Harry Potter não significa que tenha de estar a lidar com olhares, entrevistas e tudo o mais que advém de ser filho de um famoso. Mas o miúdo entra numa espiral de sentir pena de si mesmo, e acaba por criar uma situação grave, que dá mote ao resto do livro.

Pena que o mote não seja grande coisa e, a partir daí, a história segue colina abaixo, para se despenhar contra um calhau e pegar fogo, não havendo Aguamenti lhe que valha.

Vamos começar pela única coisa boa: Scorpius e Draco Malfoy, as duas personagens que merecem referência. O Draco adulto é uma excelente versão da sua versão jovem literária, e sentimos que as suas ações, falas e até maneirismos coincidem com aquilo que nos foi contado. Já Scorpius é exatamente como o imaginei: pronto para a aventura, mas com a dose certa de juízo e uma ou duas piadas na manga. Se o argumento vale alguma coisa, é por ele.

Já o seu grande amigo Albus é, perdoem-me, o maior coninhas. Um atado de primeira, que não fode nem sai de cima e cria problemas a cada passo. Um verdadeiro inútil, que me meteu raiva do início ao fim.

Rose Weasley foi o maior choque e desilusão. Uma verdadeira mean girl, é descrita como o tipo de miúda que estraga a vida de toda a gente só porque lhe apetece, para conseguir o que quer. É super irritante, a um nível que, se isto fosse a vida real e ela me aparecesse à frente, ia para casa sem, pelo menos, dois dentes. Não percebi a intenção dos argumentistas em criá-la desta forma. Afinal, ela é filha da Hermione e do Ron! Não faz o mínimo sentido.

Mas não fazer o mínimo sentido é uma coisa normal, em HPCC. Sabiam que a J.K. Rowling disse, em entrevista, que os seus editores americanos queriam que o trio se abraçasse mais, especialmente no final de cada livro? Ela recusou, porque, simplesmente, não é assim que os britânicos se comportam.

Guess what? Albus e Scorpius abraçam-se a cada 5 páginas, ficando nós com a ideia, inclusive, que existe ali algo mais que um bromance. Pode parecer insignificante, mas tendo em conta os sete livros da saga e o facto de nunca ter havido estas intimidades, foi realmente um dos meus pet peeves ao longo de todo o livro.

E de onde é que veio a ideia de incluir Amos Diggory? Nem me vou alongar aqui.

SPOILER ALERT!!!!!!!

O melhor, contudo, é o plot twist, é aquilo em que eles centraram a história e o argumento: Voldemort tem uma filha. Sim, estão a rir-se, mas é verdade. Aqueles dois otários escreveram uma filha para o tio Voldy, dizendo que ele a teve com Bellatrix, e que nasceu no dia da batalha de Hogwarts.

Para começar, todos sabemos que isso é impossível, a não ser que a Bellatrix tenha tido a filha em modo turbo para logo a seguir ir morrer às mãos de Molly Weasley. Depois, Voldemort não era capaz de sentir porra nenhuma, lembram-se? Muito menos atração física ou tesão por Bellatrix Lestrange. Mais rapidamente dava uma voltinha com Nagini.

END OF SPOILER ALERT!!!!!!! 

E é tudo tão mal contado, com tantas falhas, tantos plot holes que nem três Bombarda Maxima causavam buracos tão grandes. É mal escrito (sim, já sei, é teatro - mas está mal escrito!), não apaixona, não nos faz virar a página. E o pior é saber que a J.K. deu o ok a uma coisa destas. Primeiro, três filmes (completamente escusados) de Fantastic Beasts, agora isto… a ganância anda a falar mais alto, Jo?

Quanto a mim, mais desiludida era impossível. Salva-se a capa bonita, mas o argumento é um pasquim, e não me parece que, mesmo tendo a oportunidade de ver a peça ao vivo, a minha opinião mudasse.

Dizia Dumbledore que “the truth is a beautiful and terrible thing, and should therefore be treated with great caution.” Mas eu vou ser corajosa e dizer a verdade acerca de Harry Potter and the Cursed Child.

It fucking sucks.

Famous authors, their writings and their rejection letters.

philosophuckingphy:

cidermoon:

ramoorebooks:

  • Sylvia PlathThere certainly isn’t enough genuine talent for us to take notice.
  • Rudyard KiplingI’m sorry Mr. Kipling, but you just don’t know how to use the English language.
  • Emily Dickinson[Your poems] are quite as remarkable for defects as for beauties and are generally devoid of true poetical qualities.
  • Ernest Hemingway (on The Torrents of Spring): It would be extremely rotten taste, to say nothing of being horribly cruel, should we want to publish it.
  • Dr. SeussToo different from other juveniles on the market to warrant its selling.
  • The Diary of Anne FrankThe girl doesn’t, it seems to me, have a special perception or feeling which would lift that book above the ‘curiosity’ level.
  • Richard Bach (on Jonathan Livingston Seagull): will never make it as a paperback. (Over 7.25 million copies sold)
  • H.G. Wells (on The War of the Worlds): An endless nightmare. I do not believe it would “take”…I think the verdict would be ‘Oh don’t read that horrid book’. And (on The Time Machine): It is not interesting enough for the general reader and not thorough enough for the scientific reader.
  • Edgar Allan PoeReaders in this country have a decided and strong preference for works in which a single and connected story occupies the entire volume.
  • Herman Melville (on Moby Dick): We regret to say that our united opinion is entirely against the book as we do not think it would be at all suitable for the Juvenile Market in [England]. It is very long, rather old-fashioned…
  • Jack London[Your book is] forbidding and depressing.
  • William FaulknerIf the book had a plot and structure, we might suggest shortening and revisions, but it is so diffuse that I don’t think this would be of any use. My chief objection is that you don’t have any story to tell. And two years later: Good God, I can’t publish this!
  • Stephen King (on Carrie): We are not interested in science fiction which deals with negative utopias. They do not sell.
  • Joseph Heller (on Catch–22): I haven’t really the foggiest idea about what the man is trying to say… Apparently the author intends it to be funny – possibly even satire – but it is really not funny on any intellectual level … From your long publishing experience you will know that it is less disastrous to turn down a work of genius than to turn down talented mediocrities.
  • George Orwell (on Animal Farm): It is impossible to sell animal stories in the USA.
  • Oscar Wilde (on Lady Windermere’s Fan): My dear sir, I have read your manuscript. Oh, my dear sir.
  • Vladimir Nabokov (on Lolita): … overwhelmingly nauseating, even to an enlightened Freudian … the whole thing is an unsure cross between hideous reality and improbable fantasy. It often becomes a wild neurotic daydream … I recommend that it be buried under a stone for a thousand years.
  • The Tale of Peter Rabbit was turned down so many times, Beatrix Potter initially self-published it.
  • Lust for Life by Irving Stone was rejected 16 times, but found a publisher and went on to sell about 25 million copies.
  • John Grisham’s first novel was rejected 25 times.
  • Jack Canfield and Mark Victor Hansen (Chicken Soup for the Soul) received 134 rejections.
  • Robert Pirsig (Zen and the Art of Motorcycle Maintenance) received 121 rejections.
  • Gertrude Stein spent 22 years submitting before getting a single poem accepted.
  • Judy Blume, beloved by children everywhere, received rejections for two straight years.
  • A Wrinkle in Time by Madeline L’Engle received 26 rejections.
  • Frank Herbert’s Dune was rejected 20 times.
  • Carrie by Stephen King received 30 rejections.
  • The Diary of Anne Frank received 16 rejections.
  • Harry Potter and The Philosopher’s Stone by J.K. Rolling was rejected 12 times.
  • Dr. Seuss received 27 rejection letters

Now this…THIS inspires me.

Okay but I feel the same way about Lolita even today

(Source: ramoorebooks.com, via thebritishteapot)

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